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Cartas de recomendação: como pedir quando sua escola nunca fez isso
Escolas brasileiras raramente escrevem cartas de recomendação. O que a universidade americana espera, quem pedir, quando pedir e o que entregar para o professor.
8 minutos de leitura
Nos Estados Unidos, escrever cartas de recomendação faz parte do trabalho do professor do ensino médio. No Brasil, quase nenhum professor já escreveu uma. Isso não é um problema seu, mas vira um se você pedir do jeito errado ou em cima da hora. O que segue é como conduzir isso sem constranger ninguém.
Peça as cartas com prazo na mão
Saber quais universidades entram na sua lista define quantas cartas você precisa e para quando.
1O que a universidade está pedindo, de verdade
Cada universidade define o que exige, e a variação é real: há quem peça duas cartas de professores e uma do orientador, e há quem não peça nenhuma. O arranjo mais comum é esse primeiro, então planeje por ele, mas confirme na página de cada universidade da sua lista antes de sair pedindo. Elas não são declarações de bom comportamento. O leitor quer um exemplo concreto: uma pergunta que você fez, um trabalho que você refez sem ser obrigado, uma vez em que você mudou de ideia com um argumento melhor.
Uma carta que diz apenas que você é dedicado e educado não ajuda. Não porque seja falsa, mas porque descreve metade da sua turma.
2Quem pedir
- Não escolha pela nota. O professor da matéria em que você tirou 10 mas nunca abriu a boca sabe menos sobre você do que aquele em que você tirou 8 discutindo toda aula.
- Prefira o segundo e o terceiro ano. Professores recentes lembram de coisas específicas. Um professor do primeiro ano vai escrever generalidades.
- Cubra áreas diferentes. Duas cartas de exatas dizem uma coisa só. Uma de humanas e uma de exatas mostram que você funciona nos dois registros.
- O orientador, quando exigido. Boa parte das universidades pede uma carta ou um relatório do orientador, e o documento da escola com o histórico não é a mesma coisa que essa carta. Se a sua escola não tem essa figura, o coordenador ou o diretor faz esse papel. Avise a escola cedo, porque provavelmente ninguém ali já preencheu o formulário do Common App.
3Quando pedir
No fim do segundo ano ou no começo do terceiro, e nunca depois de setembro. Um professor brasileiro vai escrever a primeira carta de recomendação da vida dele, provavelmente em inglês, no meio do período letivo. Isso leva tempo e boa vontade, e as duas coisas acabam se você pedir em outubro.
4O que entregar junto com o pedido
Esta é a parte que quase ninguém faz e que muda a qualidade da carta. Não peça e desapareça. Entregue um resumo de uma página com material bruto para o professor usar.
- 1Para quais universidades você está se candidatando e o prazo de cada uma.
- 2O que você pretende estudar e por quê.
- 3Dois ou três momentos específicos daquela aula que você lembra: uma discussão, um trabalho, uma dúvida que virou pesquisa.
- 4O que você acha que aprendeu com aquele professor, dito com suas palavras.
- 5Uma oferta explícita de ajuda com o inglês, se ele preferir escrever em português e revisar depois.
Você não está escrevendo a carta. Está devolvendo ao professor as lembranças que ele tem de você e não consegue recuperar sozinho um ano depois.
Perguntas frequentes
A carta pode ser em português?
A universidade espera inglês. Na prática, muitas famílias resolvem com o professor escrevendo em português e uma tradução feita por tradutor. Combine isso na hora do pedido, não na semana do prazo.
Posso pedir para um chefe ou treinador?
Como carta adicional, sim, e às vezes ajuda muito. Ela não substitui as cartas de professores acadêmicos, que são as obrigatórias.
Eu vou ler a carta?
Normalmente não. O Common App pede que você abra mão do direito de ler, e abrir mão é o esperado: uma carta que o aluno leu vale menos aos olhos de quem avalia.
E se o professor disser não?
Agradeça e pergunte a outro. Um não é melhor do que uma carta morna escrita por obrigação, e o leitor percebe a diferença.
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